O que acontece quando se fala sobre radiação para uma crianças de 4 anos?


Como todo pai não deixo de ter orgulho das coisas do meu filho de 4 anos de idade. Mas hoje resolvi escrever este artigo, pois me surpreendi muito.

Quando temos tempo livre, gostamos muito de fazer vídeos para o nosso canal do Youtube, o BioCamera Ação. Mas nem sempre é fácil, pois muitas vezes vamos a locais que não despertam interesses de crianças como ele e acaba sendo bem chato, como ele mesmo costuma dizer.

Hoje, não foi muito diferente, decidimos ir ao Parque Estadual Telma Ortegal, que fica no município de Abadia de Goiás a cerca de 30 min de carro de Goiânia – GO. Não era simples deixá-lo com alguém, então resolvemos levá-lo. Mas este não é um parque comum como se pode imaginar.

Nele estão enterrados os materiais contaminados com o Césio 137, referentes ao acidente radioativo que aconteceu em Goiânia em 1987. Pensei que seria difícil filmar, fotografar e pegar algumas informações tendo meu filho por perto, pois muitas vezes é entediante para ele.

Depósito Definitivo de Rejeitos Radioativos – CNEN – Abadia de Goiás.

Mas aí é que vem a surpresa, assim que chegamos ao centro de visitantes do Centro Regional de Ciências Nucleares do Centro-Oeste – CRCN-CO, uma unidade da Comissão Nacional de Energia Nuclear -CNEN que fica dentro do parque, meu filhinho de apenas 4 anos já se encantou com as maquetes e logo começaram as perguntas.

CNEN / Abadia de Goiás

Em 2014, participei de um curso na Universidade Harvard,nos Estados Unidos sobre desenvolvimento infantil e uma das coisas mais importantes que aprendi foi não subestimar a capacidade das crianças de aprenderem. Então, colocando isso em prática, comecei a explicar tudo que conseguia.

Expliquei tudo que ele ia me perguntando, logo vimos as roupas que os especialistas usam em caso de emergência, os detectores de radiação que estavam expostos, mais maquetes, máscaras, etc. Vimos dois pequenos filmes, um sobre a CNEM e  outro sobre o acidente.

Ampola de Césio 133 – CNEN / Abadia de Goiás

Em seguida fomos ao local onde estão enterrados os resíduos contaminados, para uma criança realmente não tem nada e interessante neste local, então entreguei uma câmera daquelas de uso pessoal e doméstico e um tripé (que ele adora) e fomos filmar perto de um dos “morros” onde estão os resíduos. Fizemos alguns vídeos que divulgaremos em 2018 no nosso Canal do Youtube o BioCamera Ação e finalizamos a visita, mas a curiosidade dele apenas começava.

Maquete do Depósito definitivo do lixo radioativo de Goiânia – GO / CNEN Abadia de Goiás

O que me deixou surpreso de verdade foi a parte da tarde, somadas, tivemos mais de 2 horas de conversa. Ele, de apenas 4 anos, me perguntou tudo sobre radioatividade e eu fui explicando. Ele me pediu para desenhar nossa família vestidas com as “roupas” de emergência (equipamentos de proteção individual), o Césio 137, os detectores de radiação, o símbolo da radioatividade, e explicar toda a história do acidente de 1987. Tive que explicar sobre prótons, elétrons, neutrons, desenhar átomos e até pedir ajuda para uma prima professora de química para explicar por que os átomos emitem radiação, além dos tipos de radiação “alfa”, “beta” e “gama”.

O que parecia que seria uma visita entediante na realidade foi uma enorme aula para nosso pequeno Henrique, o desenho sobre o dia de hoje está grudado na parede da casa da vovó e gera algumas explicações para as tias.

Desenho sobre a visita ao CNEM

E o que acontece quando se fala sobre radiação para uma crianças de 4 anos ? A minha criança adorou !

Leonardo Milhomem é Biólogo e Mestre em Educação e responsável pelo BioCamera Ação.

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